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Amigo. Para ter, é preciso ser.

Posted: quarta-feira, 24 de agosto de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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Você já parou para pensar o quão seria difícil a nossa existência se não tivéssemos a oportunidade de ter ao nosso lado aquela pessoa em que confiamos e por quem temos o mais puro e profundo afeto? Já pensou o que seríamos de nós sem os nossos amigos? A vida seria completamente vazia, descolorida e lastimavelmente sem encantos. Ainda bem que, a despeito da prepotência de muitos de não reconhecer, todo mundo tem um amigo (ou vários), e a amizade, esse bem maior, resiste com formosura e elegância a uma época em que a individualidade do cada um por si grassa absoluta.
Mas o que é um amigo? Amigo é, antes de tudo, a companhia desejada para as horas indesejadas. É o apoio de que você precisa para poder dar a volta por cima. É com ele que você pode contar quando tudo parecer perdido e o sufoco tomar-lhe a alma. É carinho, é respeito, é compromisso. O amigo de verdade, contudo, não é aquele que sempre concorda com você, mas sim o que, com decência e delicadeza, te oferece a verdade, por mais doída que ela possa vir a ser. Fiel e compreensivo, é aquele que, independente da hora, do lugar e da circunstância, não te abandona. JAMAIS.
A amizade, doce, pura e verdadeira, o tempo não apaga e a distância não minimiza. Não é exagero dizer, portanto, que os amigos são os parentes que escolhemos ter, a família que o destino nos deu de presente. É com eles que escrevemos muitas páginas de nossa história. Sejam bons ou não, os momentos divididos com eles são sempre inesquecíveis. Amigo é aquele que está contigo quando você, confuso, talvez triste, precisa de um conselho sincero; é aquele que dá o ombro para que você possa chorar e diz, com os olhos cheios de esperança: ‘LEVANTE-SE. NÃO DESISTA!’; amigo é aquele cujos abraços remediam qualquer dor; é aquele cuja ausência machuca o coração.
            Infelizmente, a falta de tempo e a correria do dia a dia muitas vezes nos impedem de dar o devido valor a quem, com justiça, chamamos de amigos. Em nome da busca desenfreada por sucesso, dinheiro e realização profissional, nos esquecemos de quem sempre esteve ali, de mãos dadas conosco. Nunca é tarde, contudo, querido leitor, para reconhecer que o tesouro mais valioso de todos não se acha nem se compra, se conquista, e são eles: SEUS AMIGOS, e a única maneira de TER UM é SER UM.

Daniel Lélis

Texto que encerra minha participação, 23 edições depois, na JFASHION com a coluna SOBRE TUDO. 

"Lições e descobertas"

Posted: sábado, 11 de junho de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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Uma hora ou outra...

... descobrimos que muitas vezes os melhores caminhos são aqueles que detestamos buscar e que caminhar em direção ao mundo pode nos trazer de volta para a casa. Descobrimos que o óbvio pode não ser encantador, mas é ele que nos dá segurança. E não importa o quanto tentamos negar: chega uma hora que percebemos que é preciso ir longe para ter certeza o quão bom está perto daqueles que amamos. Descobrimos que as melhores escolhas são as mais difíceis de fazer; e as fáceis as que mais nos trarão arrependimento. Descobrimos que quem brilha muito, ofusca as próprias perspectivas; que é na aflição que podemos encontrar cambaleando muito de nossa força. Aprendemos que ser bom ou não é mais uma questão de interpretação que de valores; que por trás de cada decisão há um interesse que nem sempre será esclarecido. Descobrimos que quanto mais sonhamos em alcançar o topo, mais nos seduzimos pelo perigo. Aprendemos, entretanto, que é sonhando que podemos vislumbrar os nossos mais temidos pesadelos. E nem precisamos estar dormindo para tanto.
Aprendemos que as joias mais caras não nascem em ostras, mas repousam no coração na forma dos mais nobres sentimentos. Descobrimos, todavia, que a fome por poder torna a nobreza um acessório fora de moda. Aprendemos, porém, que num mundo tomado pela falsidade, em que as aparências falam mais alto, vale a pena ter um amigo. Descobrimos que a maior dor não é aquela que sentimos, mas aquela que esperamos sentir; e que as maiores fortalezas são aquelas que já foram derrubadas. Aprendemos que o forte numa batalha não é quem vence, mas quem não se permite desistir. Descobrimos que para muitos vale tudo para ganhar uma guerra, inclusive abandonar a si mesmo. Aprendemos que o guerreiro sábio, contudo, nem sempre é o mais amado, mas é o que mais atrai admiração. Descobrimos que a vitória pode entorpecer o vencedor e só a derrota pode abrir-lhe os olhos. Aprendemos, todavia, que é preciso fechar os olhos para ver o que diz o coração.
Descobrimos que a pessoa que grita felicidade aos quatro cantos, na verdade, procurar convencer a si mesmo que é feliz. Aprendemos que o orgulho fere, mas pode ser a única saída. Descobrimos que um mar de dúvidas pode nos contaminar, mas a maior poluição será fabricada pelas nossas certezas. Aprendemos com o 'ontem' a lidar com o 'hoje', e com o 'hoje' a entender o 'amanhã'. O futuro, contudo, continua sendo a melhor desculpa. Aprendemos que o destino traz muitas respostas, mas que nem é ele é capaz de fazer todos os milagres. Descobrimos que amar é perigoso, mas é o risco que precisamos correr. Aprendemos que o amor, mesmo quando nos engana, traz serenidade e alivia. Descobrimos, no entanto, que nem todos os laços podem perdurar. E mesmo os mais firmes não resistem a um nó cego do tempo. Aprendemos que fugir é um remédio covarde, mas às vezes necessário. Descobrimos que somos o que aprendemos e que o nosso maior patrimônio é a nossa história, mesmo que inevitavelmente não nos orgulhemos de tudo.


Daniel Lélis

Texto publicado originalmente na JFASHION, a  revista de sociedade mais badalada do Tocantins.

DAS SAUDADES QUE SENTIMOS

Posted: sábado, 21 de maio de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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Dói no fundo do peito. Machuca a alma. Às vezes quando dá as caras é difícil segurar as lágrimas. É a saudade, esse irresistível sentimento universal que quando experimentado garante as mais intensas emoções. Quem não sente saudades (se é que há alguém) está livre da dor que ela proporciona, mas também precisa se conformar com a inexistência das certezas que só ela é capaz de oferecer.
Mas o que é saudade? Defini-la com palavras é injusto, uma vez que a sua dimensão contraria o senso comum e abarca uma infinidade de situações. Contudo, o façamos com a única intenção de clarear o assunto que aqui será explorado. Saudade é, acima de tudo, lembrança. Lembrança das pessoas que passaram pela nossa vida ou das coisas que o tempo tornou ausentes. Saudade é a falta, a carência de algo ou alguém que de alguma maneira é/foi importante. O fato é que não sentimos saudades daquilo que nos desagrada.
Sentimos saudades da infância. Da ingenuidade que outrora falava por nós. Da proteção e do socorro imediato dos nossos pais, sempre por perto. Da alegria pura e inocente que um simples presente nos causava. Do sorriso sincero que qualquer piada boba era capaz de arrancar. Da época em que a nossa maior preocupação se resumia no prato quebrado que a mamãe ainda não descobrira. Faz falta as brincadeiras no fundo do quintal. As tarefas de casa para fazer. A satisfação de apresentar uma pirueta nova. A doçura quase poética de cada descoberta.
Sentimos saudades de quem já se foi. De quem deu adeus e nunca mais voltará. Daquele parente querido que sucumbiu a uma doença grave. Daquele amigo amável que perdeu a vida num grave acidente. Sentimos falta de quem não se foi, mas que não está mais aqui, do nosso lado. Daqueles que foram para longe e que raramente voltamos a ver. Daqueles que o destino, implacável e insensível como a mãe natureza, levou para distante de nós.  
Não se pode negar que a saudade e a angústia costumam andar de mãos dadas. A saudade é amarga; é como uma música dolorosa, cantada com tristeza pelo coração. A despeito disso, a verdade é que as lembranças são o nosso maior patrimônio e a saudade existe para mostrar quais destas recordações são boas e merecem um capítulo especial em nossa história.

Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na JFASHION (@revistajfashion), a revista de sociedade mais badalada de Tocantins

Se eu fosse você

Posted: sexta-feira, 15 de abril de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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            Ah, a inveja. Tem sentimento mais típico do ser humano do que esse? Mais fácil chover petróleo que encontrar uma só pessoa na face da terra que nunca tenha sentido, um pouquinho que seja, inveja do outro. Imagine, você, mulher, que a sua colega de trabalho está desfilando aquele vestido lindo, fantástico, que você viu noutro dia na loja e que prometeu comprar. O que você sente?! Inveja, ora essa. Agora, você, homem, imagine que o seu vizinho comprou o carro que você sempre sonhou, mas não teve dinheiro para adquirir? O que você sente?! IN-VE-JÁ. Se a inveja tivesse um sabor, este seria amargo. Pois preparem o paladar, leitores, que a coluna hoje pretende analisar, com prudência, mas sem severidade, da invejinha a invejona.
Invejar o outro é querer estar como ele; é desejar ocupar a posição que ele ocupa. É não estar conformado com o que se tem e querer ter o que outro desfruta. Sente inveja quem tem vontade de ser o outro, quem daria tudo para estar no lugar dele. O invejoso, definitivamente, é aquele que não está contente com o que é ou com o que possui. A inveja, todavia, pode render alguns segundos de descontentamento ou durar no tempo, massacrando o ego de quem a abraça com toda a força. Isso porque existem vários tipos de inveja. De todos os tamanhos e modelos. Para todos os gostos e desgostos. Me acompanhem.
Temos a inveja fatal, que é aquela que você não consegue resistir. Vem de repente e quando você percebe já tomou conta de você. Há também a inveja inconsciente, que é aquela que surge e você nem percebeu. Outro tipo de inveja, essa famosa, é a ‘branca’. Quem a tem diz que ela é a inveja boa, sem malícia, sem ardileza. Finalmente, temos a inveja venenosa. Essa é perigo certo. O invejoso dessa espécie tem tanta vontade de ser você, ou de ter o que você tem, que não mede esforços para puxar o seu tapete. Vale tudo. Tudo mesmo. Desde falar mal até mesmo a tentar te sabotar. Você dá um passo e o sujeito quer dar três. Você planeja algo e ele prontamente diz que não vai dar certo. Com essa categoria de invejosos, cuja esperteza e falsidade são notórias, todo cuidado do mundo é pouco. Portanto, esteja atento!
Pois bem. A verdade é que invejosos todos nós somos. O problema é quando a inveja deixa de ser um detalhe sem qualquer gravidade, divertimento talvez, e passa a tomar contornos sérios, doentis, por assim dizer. Quando o inveja ultrapassa o limite do tolerável, é recomendável procurar um tratamento, pois tem algo de muito errado aí. De qualquer maneira, uma coisa nisso tudo é certa: ninguém tem inveja do que não é bom. Seria, então, a inveja um elogio às avessas?! É, por que não?! Pense nisso!


Daniel Lélis


Contos de fadas não foram feitos para nós

Posted: segunda-feira, 21 de março de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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Construir um relacionamento, seja ele amoroso, profissional ou de afeto, nem sempre é fácil, uma vez que pode, dependendo das circunstâncias, exigir muita disposição, paciência e tolerância. Quando se trata de edificar uma vida a dois, então, há mil e um desafios. Tratemos deles.
Todo mundo sonha com o dia em que vai encontrar sua alma gêmea, sua cara metade. Mesmo nos dias de hoje, em que a individualidade congrega multidões, a necessidade de ter alguém resiste e continua insubstituível. A tarefa de encontrar um (a) parceiro (a) ideal para um compromisso, todavia, parece que nunca foi tão complicada. A razão, creio eu, é simples: quando mais idealizamos a pessoa com quem gostaríamos de estar juntos, menos chances temos de encontrá-la. Em outras palavras, quando fantasiamos demais o outro, na busca pela satisfação de nossas expectativas, corremos o sério risco de nos decepcionar e sermos castigados pela solidão.
Quem busca um relacionamento ‘perfeito’, esquece que todos nós somos imperfeitos. Somos humanos, por isso errantes, falíveis e cheios de defeitos. Portanto, o mais coerente para quem deseja achar a sua metade da laranja, é ter consciência de que nem sempre ela será doce. Aceitar e superar a ideia de que príncipes encantados (ou princesas, se for o caso) foram feitos só para os contos de fadas é um passo importantíssimo. É fundamental não esperar demais do outro; ter em vista que como você, ele (a) também tem limitações; valorize-lhe as virtudes e qualidades, importe-se em fazer dar certo. Feito isso, a verdade é que mais cedo ou mais tarde, aparecerá alguém interessante. Revestido da cautela necessária, por que não acreditar?! Como afirmou o genial Mário Quintana em um dos seus escritos, “No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”
Pois bem. Mais difícil do que ter um relacionamento, contudo, é manter um. Não existe segredo, já vou dizendo. Cada casal cria as suas próprias regras. O que há em comum em todas as relações que dão certo, importante mencionar, é o fato de que elas souberam se reinventar, sobreviver às dificuldades, vencer os desafios. Para tanto, é preciso que haja companheirismo, respeito, dedicação e lealdade. É preciso, sobretudo, de amor. Amor de verdade. Aquele que acalenta a alma, conforta e sossega o coração. Aquele que vê o tempo passar, mas nunca envelhece. Aquele que enche de orgulho e saudades. Aquele feito para a vida toda.

Daniel Lélis


Artigo publicado originalmente na JFASHION (@revistajfashion), a revista de sociedade mais badalada de Tocantins

Medo. Modo de usar. (por Daniel Lélis)

Posted: sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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     Quem nunca sentiu medo?! Assim como a alegria, a tristeza e a ansiedade, o medo é, sem a menor sombra de dúvidas, um dos sentimentos mais constantes na vida das pessoas. Do mais novo ao mais velho, do mais ingênuo ao mais experiente, do mais rico ao mais humilde, o certo é que sentir medo é inevitável. Mas se há certeza do quão fatal é a vivência do temor, não se pode dizer o mesmo da busca por enfrentá-lo. Não são poucos os que, diante do medo, fogem de si, apavoram-se; os que, na ausência de um remédio para curar-lhes os sobressaltos, se entregam, desistem de lutar. A eles, dedico esse texto.
     Quando crianças, é comum termos medo do escuro. Nossa imaginação fértil glorifica a existência de monstros incríveis e fabulosas assombrações. Chegamos a jurar de pé juntos para os nossos pais que vimos o bicho papão. Com a chegada da adolescência, nossos temores mudam de direção. Novas emoções tanto seduzem quanto atemorizam. Nossos medos, contudo, são menores que o nosso desejo de experimentar o desconhecido, por isso desbravamos, nem sempre com a precaução e moderação necessárias, novos caminhos. Passada essa fase, é hora de amadurecer. O medo, por mais que alguns finjam o contrário, continua implacável a nos acompanhar. Como lidar com ele? Como fazer dele, ao invés de um inimigo, um aliado? Finalmente, como evitar andar de mãos dadas com o temor? Não existem para estes questionamentos, logicamente, respostas prontas. Desenhemos, contudo, algumas sugestões valiosas.
     Primeiro, uma certeza: ninguém vence o medo fugindo dele, fazendo de conta que ele não existe. Superar um temor envolve enfrentá-lo com coragem, firmeza e dedicação. Portanto, antes de qualquer coisa, é importante ter forças para reconhecer os seus temores. Ignorá-los é, em última análise, fortalecê-los. Sábio, portanto, é aquele que identifica o que teme, para só então dominá-lo. Conter o medo não significa, porém, subjugá-lo como desnecessário. Há medos que nos fazem refletir positivamente, podendo, por isso, nos ser úteis. O medo proveitoso, muito embora seja a exceção de uma regra volumosa, tem a solidez da prudência e o vigor da cautela; é ele que nos injeta bom senso para não permitir que nos aventuremos em um terreno de escolhas absolutamente equivocadas e das quais nos arrependeremos para o resto da vida.
     Todavia, a despeito dessa hipótese benéfica, a verdade é que o medo, na maioria das vezes, sufoca possibilidades, destrói planejamentos e derruba expectativas. O medo de errar, de arriscar uma alternativa, de traçar uma nova rota, nos condena a saborear o amargo sabor do conformismo. Quem não tenta, se contenta. Driblar o medo é não se deixar sufocar por ele; é não permitir que ele dite rumos, escreva o nosso destino. Triunfar sobre o medo é impedir que ele nos proíba de buscar o que julgamos, conscientemente, ser o melhor para nós.  Vencer o medo é, finalmente, saber usá-lo a nosso favor.

Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na JFASHION, a revista de sociedade mais badalada do Tocantins.            
            

'Das promessas que fazemos' (por Daniel Lélis)

Posted: sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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     Todo começo de ano é a mesma coisa. E não poderia ser diferente no princípio de 2011. Para qualquer lado que se vira, ouvimos aos montes pessoas prometendo mil e uma coisas para o ano que está estreando. Do mais rico ao mais pobre, do mais novo ao mais velho, do mais bonito ao mais feio, é impressionante a euforia que nos toma conta ante a chegada de mais 365 dias. ‘Eu prometo emagrecer!’, ‘eu prometo ser um filho obediente!’, ‘eu prometo não tirar nenhuma nota baixa!’, ‘eu prometo me esforçar mais no meu trabalho!’, ‘eu prometo ser um (a) companheiro (a) melhor! Essas são só algumas das promessas que fazemos.
            Se promessa fosse dívida, como diz o ditado, o trabalho de toda uma vida não seria capaz de pagar o nosso débito. Prometer é um vício delicioso e em nenhum momento nos sentimos tão a vontade para exercitá-lo quando da chegada de mais um ano. Prometer é, antes de tudo, comprometer-se; obrigar-se a determinada coisa. Quando prometemos, estamos dando esperanças da realização de algo para o futuro. Há promessas que fazemos para nós mesmos; no escurinho da noite; no silêncio das madrugadas; no encontro inevitável com a reflexão. Há outras, por sua vez, que fazemos para o próximo; para o familiar, para o amigo, para o (a) amado (a). Pequenas, grandes, singelas, complexas. Há promessas de todos os pesos e tamanhos; para todos os gostos e idades.
            O leitor atento deve estar se perguntando agora onde eu quero chegar. Pois bem, explico. Não vejo problema algum que nós, movidos pelo desejo de construir o melhor ano de todos, façamos promessas; muitas promessas. O erro, a meu ver, não está no ato de prometer em si, mas sim na mania que a maioria das pessoas tem de fazer da promessa, em vez de meio, um fim. A promessa não é, como muitos julgam ou fazem pensar, um fim em si mesmo. Ela é um caminho, uma rota que podemos trilhar na procura por determinada finalidade. A promessa é a voz que empreende um compromisso. Contudo, prometer por prometer é o mesmo que nada. A promessa que é feita por ser feita; que não é aliada com a tentativa de se fazer realizar, é em vão, e no máximo animará passageiramente o ego de quem a fez.
            Portanto, que neste primeiro ano da segunda década do século XXI, tenhamos, em respeito a quem somos e em homenagem a quem queremos ser, consciência do cuidado e da responsabilidade que devemos ter antes de fazer qualquer promessa; que prometamos menos, mas nos esforçamos mais para tornar realidade aquilo com o que nos comprometemos; que a mesma empolgação que nos encoraja a prometer demais nos primeiros dias do ano, se faça presente no restante dele na busca por realizações.


Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na JFASHION (@revistajfashion), a revista de sociedade mais badalada do Tocantins.

O amor também é importante, 'pô'! (por Daniel Lélis)

Posted: terça-feira, 7 de dezembro de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: , , ,
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           É, o fim do ano se aproxima. Falta pouco para a chama de mais um ano ser extinta. 2010 logo logo será apenas história. Alguns lembrarão dele com saudades, outros teimarão em ignorá-lo. A todos, contudo, restará uma certeza: bom ou ruim, é hora de dar adeus a primeira década do século XXI. Antes da despedida que se anuncia, entretanto, é preciso saborear a data mais esperada do nosso calendário; o evento maior, cuja beleza, incontestável e renovadora, une até mesmo os mais insensíveis. É hora de viver o Natal.
            Não, não vejo o Natal como sendo apenas mais uma data religiosa a ser comemorada ou um convite irresistível às compras. O Natal é, a meu ver, o momento em que expressamos o que de melhor habita em nossos corações. É a oportunidade em que percebemos que fazer o bem faz bem. É a chance de nos reconciliarmos consigo próprios. É quando a união, a fraternidade e a solidariedade falam mais alto. O Natal, já disse aqui certa vez, não está ai para ser entendido ou explicado. Sua importância vai além de qualquer teoria. Ele existe porque precisamos dele. E ponto.
            Neste Natal, entre presentes e abraços, me surgiu a lembrança da frase que intitula este texto. Desenhada com letras angulosas e sem curvas, ela tomou conta das paredes e beiradas de viadutos de São Paulo há alguns anos atrás. Ninguém nunca descobriu quem foi o seu o autor, de onde veio e nem qual seu verdadeiro propósito com a expressão. Mas ela diz muito. Explico.
            Frases de efeito estão sempre inundando o linguajar popular. Ditados, jargões e slogans fazem parte da vida das pessoas de modo constante e desenfreado. Pois bem, num mundo tão acostumado com o novo, o moderno, o diferente; tão apegado à ostentação e a vulgaridade, eis que surge alguém a nos lembrar do óbvio, daquilo que deveríamos compreender como indispensável, do sentimento que muitos, sempre tão ocupados, relegam a segundo plano. Precisou que um desconhecido, talvez imundo, cansado e desacreditado, nos fizesse recordar aquilo que não tínhamos o direito de esquecer. “O amor também é importante, pô!”, nos faz lembrar o aflito mensageiro.
            Nenhuma outra frase poderia traduzir com tanta simplicidade e perfeição o sentimento mágico que nos acomete nessa época do ano. O Natal, assim como o grafiteiro anônimo, resgata a reflexão em torno da importância que damos ao amor em nossas vidas. O Natal nos faz enxergar o quanto podemos ser bons; o quão belo e satisfatório é poder demonstrar o amor que temos pelo próximo. O grafiteiro, ah, este, com suas seis palavras cheias de vida, faz renascer com sabedoria única a seguinte convicção: no reinado das importâncias, há uma rainha e um rei. AMAR e AMOR são os nomes deles. Que sejamos sempre seus súditos! No Natal e fora dele.

            A vocês, que prestigiaram este colunista durante todo este ano, desejo um FELIZ NATAL e um ABENÇOADO e INESQUECÍVEL ANO NOVO!


Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na JFASHION (@revistajfashion), a revista de sociedade mais badalada de Tocantins

'Quem prega o ódio, patrocina a homofobia' (por Daniel Lélis)

Posted: domingo, 28 de novembro de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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A agressão sofrida recentemente por jovens gays na Avenida Paulista, em São Paulo, e o atentando sofrido por um homossexual depois da Parada LGBT do Rio de Janeiro, diferente do que muitos pensam ou julgam, não correspondem a fatos isolados. Muito pelo contrário. Na verdade, constituem e representam o que acontece com uma freqüência retumbante de Norte a Sul do Brasil. O que todos eles têm em comum? São consequências de uma doença social chamada homofobia. São reflexos do ódio gratuito e da aversão a homossexuais. Patologia que em 2010, segundo dados do GGB – Grupo Gay da Bahia, matou 198 homossexuais em todo o país.
Diante da repercussão dada pela mídia aos atos de violência das últimas semanas contra gays, veio à tona o debate em torno da necessidade ou não de uma lei que criminalize a homofobia em todo o Brasil. O PLC/122, que torna crime a violência contra os LGBT brasileiros, já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e espera aprovação do Senado Federal. Os religiosos fundamentalistas têm anunciado o apocalipse caso isso aconteça. Para eles, sua liberdade de expressão e religiosa estaria comprometida com a proibição da discriminação contra homossexuais. Alegam que padres e pastores poderão ir parar na cadeia caso façam críticas a homossexualidade. Trocando em miúdos, os líderes religiosos temem a lei porque querem continuar tendo o direito de ofender, humilhar e demonizar os homossexuais. A interpretação que fazem do PLC, contudo, não poderia ser mais equivocada.
O PLC/122, diferente do que apregoam os seus opositores, não faz proibição da crítica, nem muito menos pune a opinião de A ou de B. Seu objetivo é outro, qual seja proibir a DISCRIMINAÇÃO e punir a manifestação do PRECONCEITO. Visa o Projeto de Lei dar ao homossexual aquilo que todo ser humano tem direito e o Estado tem dever de garantir: respeito à sua integridade física e moral. Os religiosos homofóbicos se negam a entender dessa maneira e, sob o pretexto de defender as suas convicções religiosas, querem ter o direito de incitar, promover e abençoar o ódio contra os homossexuais. Querem ter o direito de chamar o homossexual de safado, imoral, filho do demônio, pedófilo. Falam em nome da liberdade de expressão, cuja relatividade é notória, mas querem mesmo é ter a liberdade de pregar despudoradamente o preconceito em suas congregações.


A despeito das discussões, a verdade é que, infelizmente, a homofobia continua matando centenas de pessoas todos os anos. E como afirmou em nota a ABGLT (Associação  Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), “a pregação religiosa que ataca os  homossexuais acaba por legitimar atitudes de ódio.” Quem não se lembra de Alexandre Ivo, menino de apenas 15 anos, que foi brutalmente assassinado em junho por um grupo de skinheads simplesmente por ser homossexual?! A violência não se justifica. A sua promoção, de igual modo, não pode continuar legitimada pelo Estado, que, diga-se, é laico, sem religião oficial, não podendo favorecer o entendimento de determinados grupos religiosos.  
Ninguém é obrigado a aceitar o homossexual. Respeitá-lo, porém, é um dever de todos. Inclusive de padres e pastores. Ou seria respeitoso dizer que um gay é uma aberração da natureza, um pecador que queimará para sempre no fogo do inferno, como fazem muitos deles?! Ora essa, claro que não. Usar como desculpa a liberdade de religião e expressão para instigar o ódio contra as minorias sexuais, arrisco dizer, além de ser DESRESPEITOSO, contraria aquele que vem a ser o maior mandamento de Deus: ‘amar o próximo como a si mesmo’.

Daniel Lélis
                                                                                             

'Aparências. Saboreie-as com moderação' (por Daniel Lélis)

Posted: terça-feira, 19 de outubro de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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Começo este artigo com uma constatação: nunca a imagem valeu tanto. Em nenhum momento da história da humanidade valorizou-se tanto as aparências. Chegamos a um tempo em que a superficialidade grassa insuperável. Aparecer hoje é prioridade. Não é a proposta deste texto, contudo, tão somente criticar a atitude comportamental tão em voga na atualidade, mas sim entendê-la. Para tanto, é importante nos despir dos preconceitos, abrir mão da hipocrisia e reconhecer: todo mundo gosta, um pouquinho que seja, de se mostrar.

O que é bonito é para se mostrar, já dizia o povo. O que é sucesso, o que é polêmico, o que é extravagante, o que é fútil, também. Hoje com o avanço da internet, ficou difícil se esconder. Nas redes sociais, até os detalhes mais íntimos das pessoas são revelados. Detalhe: por elas próprias. Hoje qualquer um pode ser celebridade. Basta postar um vídeo no YouTube apresentando algo diferente, como andar de cabeça para baixo, ou correr com os pés colados, e pronto, milhares de acessos garantirão os 15 minutos de fama sonhados. E não há limites para quem deseja se tornar famoso. Não faz muito tempo um asiático se jogou na frente de um trem em movimento só para ter o vídeo perfeito para postar em sua página na internet e fazer sucesso. O que essas pessoas buscam? Serem notadas. Não passar despercebido virou obsessão nos dias de hoje. Sintoma de uma época em a privacidade virou moeda de troca e a vergonha sucumbiu.
Seja por insegurança, ou por necessidade de auto-afirmação, aprendemos que não importa o quanto sejamos bons. É preciso mostrar que somos. Aprendemos que não basta que sejamos competentes. É preciso parecer que somos. A imagem virou a rainha das verdades. E é aí que mora o perigo. Valorizar a imagem é torná-la decisiva; é pormenorizar o conteúdo, reservando a ele pouca ou nenhuma atenção. Viramos escravos das aparências. Mas não, não devemos nos culpar por isso. O circo foi montado há muito tempo. E não nos deixaram opções. Ou entramos no jogo do faz de conta ou farão de conta que não existimos. Render-se a vaidade, portanto, querido leitor, virou peça fundamental de sobrevivência em nosso tempo. Contudo, antes de ser apenas um sinal de uma nova era, o endeusamento da imagem é o reflexo de uma necessidade humana: o desejo de se fazer notar.
A questão é: imagem é tudo? Lógico que não, mas é, e não falo isso porque desejo que seja, mas porque as circunstâncias assim decidiram, FUNDAMENTAL. É por isso que é importante zelar da nossa. Ter cuidado com a imagem que vendemos para o outro é exercício para toda a vida. Entretanto, não podemos nunca nos permitir a menosprezar o nosso interior; aquilo que vai além da embalagem.  Máscaras caem. Imagens mentem. A verdade, ah essa vem de dentro e precisa ser valorizada. Não somos bons ou honestos porque parecemos que somos, mas porque fazemos o bem e praticamos a honestidade. E se no restaurante da vida, o prato principal chama-se APARÊNCIAS, saboreie-as com moderação.


Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na JFASHION, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.   

'Escolhas' (por Daniel Lélis)

Posted: terça-feira, 12 de outubro de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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Nossas escolhas dizem muito sobre nós. O ato de escolher é, antes de tudo, uma oportunidade de mostrar quem somos; quais as nossas perspectivas; a personalidade que temos. A escolha não é um fim em si mesmo. Trata-se de um caminho rumo a determinado objetivo.
Ou seja, é uma ferramenta de que dispomos para fazer possível aquilo que aspiramos; para ver realizado os nossos desejos e anseios pessoais. Vale dizer, contudo, que a escolha, mesmo a individual, gera efeitos e consequências, que alcançam toda a coletividade. O fato de eu economizar água, por exemplo, além de ser um indicativo de responsabilidade, não beneficia somente a mim, mas a toda a humanidade, que precisa desse bem para sobreviver.

Escolher bem, portanto, é fundamental para o presente e decisivo para o futuro. A escolha (pessoal) de um governante, igualmente, tem reflexos que se alongam no tempo e atingem a todos. O Brasil, como se sabe, vive a expectativa da escolha de um novo presidente. Logo nada mais oportuno para o momento, que falar da importância de tomar a melhor decisão.
Eleger é optar; é escolher o que, segundo nosso entendimento, é melhor. O voto nada mais é que materialização de uma escolha. No dia 31 de outubro, milhões de brasileiros terão a missão de escolher entre dois candidatos, aquele que é o mais preparado para ser o presidente do país nos próximos quatro anos.

Disputam a vaga a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do PT, e o ex-governador de São Paulo José Serra, do PSDB. É o segundo turno desta que é a maior eleição da história do Brasil. Não é a proposta deste artigo fazer uma análise crítica de nenhum dos dois candidatos. Deixo isso para o eleitor. Proponho aqui tão somente mostrar a importância que tem essa análise para chegar-se a uma conclusão que deverá ser traduzida em voto. Em outras palavras, não é o meu objetivo aqui coroar a proposta deste ou daquele candidato, mas sim explorar a relevância que há de fazer uma leitura apurada e criteriosa de ambas as candidaturas.
Antes de decidir o voto, pare, pense, reflita. Lembre-se que o futuro de toda uma nação está em suas mãos. Analise com cuidado as idéias que estão sendo apresentadas. Busque o passado de cada um dos candidatos; não se esqueça que o que somos hoje é fruto do que fomos ontem. Examine com zelo as propostas de governo de Dilma e Serra. Estude a biografia deles. Não se acomode. Não vote por votar. Não venda, nem troque o seu voto. Vote com ética, responsabilidade e sabedoria. Por fim, se faça as seguintes perguntas: quem tem mais preparo para conduzir o Brasil? Qual dos dois tem mais experiência, fôlego e jogo de cintura para exercer a função? Quem dá maior garantia de manutenção dos princípios democráticos?
No dia de voltar as urnas, escolha a melhor opção. Escolha o bom senso.

Artigo publicado originalmente no Roberta Tum, o mais famoso e influente site de Tocantins.

'Enquanto o amor incomoda, o ódio faz as suas vítimas' (por Daniel Lélis)

Posted: quarta-feira, 22 de setembro de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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“Quando eu estava no exército, me deram uma medalha por matar dois homens e me dispensaram por amar um”(Leonard P. Matlovich)



Mãe segura desconsolada foto do filho Alexadre Ivo, menino de apenas 15 anos que foi brutalmente assassinado por um grupo de skinheads no dia 21 de junho. A razão: era homossexual. 

            As pessoas costumam apontar muitas razões para o porquê de a sociedade estar cada vez menos afeta àqueles valores que, edificados através de um processo histórico, revelaram-se indispensáveis para a manutenção da convivência pacífica entre os homens. Eu poderia, querido (a) leitor (a), apontar aqui muitos desses motivos. Porém, além de correr o risco de cansá-los, poderia cair na armadilha de limitar a um punhado de circunstâncias a construção dessa desagradável realidade. Por isso, resolvi escolher aquele que julgo ser a raiz de todos os problemas que envolvem a humanidade desde as eras mais longínquas: a ausência de amor no coração das pessoas. É ela, no meu entender, a mola propulsora de barbaridades que põe em cheque o grau de civilidade que nos gabamos de ter em relação aos outros animais. Sem amor, não há respeito, cooperação. Não há união, nem muito menos compreensão. A vida perde o seu sentido mais nobre, mais dignificante. É porque nos falta amor que casos trágicos como o do menino Ivo acontecem tão frequentemente.
            Chegamos ao ponto de que o que mais incomoda não é a miséria, as guerras, a violência urbana, a corrupção e tantas outras mazelas presentes em nosso cotidiano, mas sim a demonstração de afeto e carinho entre duas pessoas do mesmo sexo. É o beijo gay que assusta, enoja, atemoriza. O banho de sangue promovido por bandidos nos grandes centros brasileiros não importuna tanto quanto um casal de homossexuais que andam de mãos dadas nas ruas. Não é o político malandro que enche as meias e cuecas com o nosso dinheiro que nos tira o sossego, mas sim a travesti que, sem alternativa, vai trabalhar nas ruas como prostituta. Não são as catástrofes naturais, frutos da nossa ignorância e irresponsabilidade, que nos preocupam, mas sim o fato de dois homens que se amam quererem casar. Ficamos mais inquietos diante de uma parada gay que diante da marginalidade que rouba a infância e a juventude de muitos dos nossos jovens. Ficamos mais impressionados com o que fazem duas pessoas entre quatro paredes que com o caso do menino que foi morto dentro da própria sala de aula por uma bala perdida. E isto tudo por que, amigos? Porque, em nome de dogmas e sob o pretexto de estar defendendo a ‘moralidade e os bons costumes’, passamos a nos incomodar mais com o amor que com o ódio. Passamos a amar menos e a odiar mais. Passamos a reverenciar o preconceito, essa doença que mata, de tal modo que reclamamos o direito de pregá-lo em nossos espaços de convivência. Para tanto, usamos e abusamos do nome de Deus. Deus este que sendo o próprio amor, envergonhar-se-ia com tristeza do rumo que tomamos.


Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na Jfashion, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.

'Velho é o tempo' (por Daniel Lélis)

Posted: sexta-feira, 20 de agosto de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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O tempo é um professor implacável. Quanto mais ele passa, mais dele viramos reféns. Não há como fugir da sua inclemência. Render-se a ele, antes de ser apenas uma alternativa, é uma necessidade que se impera. O tempo voa. Alguns, quando percebem isso, desesperam-se; parecem perdidos. Outros, gabam-se de manter-se equilibrados; juram de pés juntos que se conformaram. E ainda outros preferem se iludir; fazem de conta que os dias não passaram, mesmo que lhes falte o vigor de outras épocas.
Contudo, independente de como lidamos com o tempo, a nós, resta uma certeza absoluta e cruel: um dia, mais cedo ou mais tarde, o nosso tempo acaba. Talvez não exista nada que atormente mais as pessoas do que a convicção indiscutível de que elas, com o perdão da comparação, assim como os produtos comprados no supermercado, tem prazo de validade. A eternidade, um sonho que nasceu com os faraós, ainda seduz, mas parece não muito próxima. O jogo da vida, este a qual todos nós fomos escalados pelo destino para jogar, diferente daquele dos campos de futebol, não tem acréscimos. Portanto, cabe a nós, sabendo das limitações que nos são impostas pelo ciclo da vida, não perder a oportunidade de vivenciá-la plenamente. Mais sábio, portanto, que em vez de concentrarmos nossos esforços procurando o elixir da juventude, resgatemos ou reforcemos a jovialidade que habita o nosso íntimo; que nos encoraja a encarar os desafios e acreditar nos sonhos; que nos enche de confiança; que nos dá o fôlego de que precisamos para não desistir de viver; jovialidade esta que, tão ausente em muitos jovens, não precisa acabar com a chegada dos cabelos brancos. Velho é o tempo, já dizia a sabedoria popular.
Mas como viver de modo pleno, de maneira que o passar dos dias seja menos doloroso e o presente mais prazeroso? Como fazer do tempo um aliado? As respostas podem variar infinitamente. Mas há muito em comum entre elas. Cuidar da saúde, mental e física, por exemplo, é fundamental. A prática de atividades físicas, nem preciso dizer, é recomendadíssima. Ler, então, é um hábito da qual não se pode deixar de lado. Ora, e não reclame da vista cansada. É para isso que servem os óculos. Amar é também outro ingrediente que não pode faltar nessa receita. E não falo de amor carnal, apenas. Me reporto ao amor em geral. É preciso amar. O amor nos faz mais jovens. É melhor que qualquer creme para rugas. É mais eficaz que qualquer plástica. Por isso, ame, meu (minha) querido (a) leitor (a). Se permita amar sempre. Ame o ontem pelas lições e emoções que ele te ofereceu; aposte no hoje, pois é preciso arriscar; e tenha sempre forças para construir o melhor amanhã de todos. Ame aventurar-se pelo desconhecido, mas nunca tire o pé do chão.  Ame quem te ama, mas tente amar a todos. Ame a sua profissão, mas não feche os olhos para as outras. Ame o diferente porque você também o é. Ame a liberdade, mas afaste-se dos excessos que adoecem. Ame o seu país, mas não seja cego. Ame a beleza das descobertas, mas não queira se entregar a todas elas. E ame acima de tudo a sua vida. Assim, quando a senhora velhice quiser desanimá-lo, olhe a firme e com autoridade, diga: o amor nunca envelhece. Quem ama, vivo está!




Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na Jfashion, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.


'As baforadas do cinismo. Ou: os três tipos de homofóbicos mais famosos do país' (por Daniel Lélis)

Posted: quinta-feira, 22 de julho de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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Homofóbico, eu? Não, claro que não. Eu só acho que o homossexualismo é um pecado abominável, mas fique tranquilo. Se você se entregar a sua vida ao SENHOR JESUS TODO PODEROSO, logo ele a edificará e você se verá livrar dessa doença promíscua. Eu amo você, pecador! Vou orar por ti.

Identificam-se três principais tipos de homofóbicos no Brasil. O primeiro deles é o “homofóbico esperto”, que também pode ser chamado de “homofóbico canalha”. É o grupo mais perigoso para a o bem estar social, dada a sua tendência criminosa de querer dividir as pessoas. Seus argumentos são mais rebuscados. Sua retórica é quase sempre recheada de sutileza. Seus apelos são sempre mais emocionais. Sabem de cor e salteado todos os versículos da Bíblia que condenam o “homossexualismo” (insistem com o sufixo “ismo”, mesmo sabendo que este é tão ultrapassado quanto eles). Acusam, mas sabem se defender. O terrorismo psicológico é a sua principal arma. Não perdem a oportunidade de, sob o pretexto de defender as suas convicções, incitar o ódio aos homossexuais. São de uma cretinice absurda. De um cinismo absolutamente grotesco. Defendem com unhas e dentes o suposto direito que tem de ofender, discriminar e oprimir, mesmo que “sutilmente” o homossexual. Falam em nome da liberdade de expressão, mas querem mesmo é ter liberdade para pregar o preconceito em seus ninchos. Afirmam despudoradamente que os militantes homossexuais querem implantar uma “ditadura gay” no Brasil. A “ditadura da ignorância”, pelo visto, eles próprios já cuidaram de criar. O “gayzismo” (palavra caprichosamente criada pelos homofóbicos espertos), segundo eles, quer destruir a família brasileira. Parecem desconhecer o fato de que é a homofobia, essa patologia que pregam desavergonhadamente, que destrói milhares de famílias no país inteiro. Ou será que os “defensores da família” não sabem que milhares de homossexuais são expulsos todos os anos do seio de suas famílias, sendo privados de ter um mínimo de dignidade? Pertencem ao grupo dos “homofóbicos espertos” a maioria dos líderes religiosos, como Bento XVI, Cláudio Hummes, Eugenio Sales, Silas Malafaia, R.R. Soares; alguns pseudo-intelectuais, como Julio Severo e Ziraldo,  e, é claro, muitos políticos, como Magno Malta, Garotinho, Marcelo Crivella, Carlos Apolinário, Eduardo Cunha, Edino Fonseca. O discurso que inaugura o texto, sutil, mas depravado, como se percebe, pertence a essa curiosa espécie homofóbica.
O segundo tipo de homofóbico, o mais comum, é o que chamo de “homofóbico replay”.  É o partidário dos espertos. Embora o grau de periculosidade deste grupo seja menor que o daqueles que seguem, todo cuidado é pouco. Dar-lhes atenção pode lhe custar uma infortuna dor de cabeça por alguns dias. São os responsáveis por expandir a idiotia pregada pelos seus líderes. Não são de inventar novos argumentos, apenas tratam de espalhar aqueles que já foram plantados na sua cabecinha de miolo mole. Quase sempre decoram as babaquices dos seus guias e na oportunidade certa vomitam tudo... O “homofóbico replay” é antes de tudo um alienado, um completo papagaio bufão que não se incomoda de ter que repetir mil vezes que seja a perversa ladainha dos seus chefes espirituais.
Por fim, tem-se a figura do “homofóbico piadista”. Este jura de pés juntos que não é homofóbico. É aquele que gosta de dizer: ah, eu tenho até amigos... O “piadista” geralmente não é religioso. Também não faz questão de pregar valores morais a ninguém. Contudo (e tinha que ter um “contudo”), é aquele que não perde a oportunidade de fazer uma gracinha com a sexualidade alheia. Debocha e fere, mesmo que não seja intencionalmente. Para ele, é prazeroso zombar do gay, da lésbica, da travesti... e ele o faz sempre que pode. Trata-se de uma espécie preconceituosa tão presente no cotidiano das pessoas que rivaliza com o “homofóbico replay” em número de adeptos. Dono de uma insegurança amazônica, este tipo adora (A-DO-RA) jactar de sua heterossexualidade. Faz questão de propagandeá-la aos quatro cantos. Embora possa parecer inofensivo, o “homofóbico piadista”, ao reforçar estereótipos e negativar (mesmo que as vezes sem perceber) o comportamento homossexual, pode ser tão perturbador quanto o “homofóbico canalha”. Lembram do “Dourado”do BBB 10?! Pois é...
Vale dizer que os três grupos aqui descritos, cujas variações podem ser as mais infinitas possíveis, são apenas a ponta do iceberg. Ou seja, são aqueles que encarnam com mais fervor o sentimento infeliz a qual se prestam disseminar, sendo por isso mais fáceis de serem identificados. Entretanto, há centenas de outras espécies preconceituosas rondando por aí. Inclusive, é importante destacar que um homofóbico de uma classe pode pertencer a outra (s) perfeitamente. Isto é, nesse zoológico as feras podem amontoar-se em uma ou mais jaulas sem problemas. Problema mesmo tem os homossexuais vítimas do preconceito homicida. Segundo o GGB (Grupo Gay da Bahia), desde 1980, o Brasil já teve mais de 3000 assassinatos homofóbicos. A maioria deles com requintes de crueldade.
Algo me diz que no lugar de jaulas, celas seriam mais apropriadas para as espécies aqui catalogadas.

P.S.: a imagem que ilustra este artigo é do menino Alexandre Ivo, de 14 anos, que foi sequestrado, espancado, torturado e asfixiado até a morte por um grupo de jovens no dia 21 de junho em São Gonçalo-RJ. O motivo da barbaridade: Ivo era homossexual. A homofobia o matou.  

Daniel Lélis

'No palco da vida, o seu encontro com você' (por Daniel Lélis)

Posted: domingo, 11 de julho de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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Lá fora o vento cinza convida as folhas a dançarem. A noite nublada esconde estrelas sonolentas. O luar é tímido e as ruas silenciosas. Chegou a hora. Você não esperava por aquele momento, mas sabia que ele era inevitável. Quem nunca se deixou seduzir pela aventura arriscada de entender como funciona o teatro da vida? É chegado o momento de você dialogar com verdades indiscretas. A peça vai começar; onde estão as fantasias? Chegou a hora de tirá-las. De repente, milhares de perguntas surgem. Para respondê-las, as máscaras precisam cair. Antes disso, um adeus. O fim então que estava próximo, está aqui. É o fim da inocência. Você se despede. E de repente, no horizonte, um moinho gigante se forma, e vai moendo, uma a uma, muitas de suas ingênuas convicções. Aos poucos a dor de conhecer o mundo te contamina e te leva para longe de si mesmo. Longe, você descobre que nunca esteve tão perto de si.  
            De repente, as cortinas se abrem. O mundo sem máscaras se apresenta no palco. Mas espera aí, onde estão os personagens desse enredo? Só então você descobre que quem está no palco é você. A plateia inconveniente te assiste. Você caminha pelo palco. Não sabe para onde vai. Mas sente que tem força para não cair. Um sorriso feliz é desenhado em sua face. Nunca foi tão gratificante estar em apuros, você pensa. Seus olhos estão cerrados. Abrindo-os, você percebe que precisa se equilibrar. Há uma tonelada de verdades espalhadas pelo chão. Vê-las te perturba, mas te consola. Um ventinho úmido faz balançar seus cabelos. A plateia permanece calada. Despido de medos, você consegue uma carona rumo a si mesmo. As verdades então começam a te engolir. As cenas seguintes são vergonhosas. As luzes de todo o teatro se acendem e revelam toda a realidade. Por todos os cantos, figura a indecência de tortuosas verdades. A plateia parece surpresa. Seus olhos parecem cansados, mas você enxerga algumas delas. Eis: Ninguém precisa ser bom o suficiente para ter sucesso. Sorte e dinheiro às vezes são ingredientes mais que suficientes; não interessa o quanto você se esforce, alguém sempre irá desconfiar de você; diga o que disser, mas beleza importa sim e muitas vezes é decisiva; por mais que queiramos que seja diferente, para muitos os valores mais importantes são os da conta bancária; acusar o outro é, antes de tudo, defender-se, honrar o altar que você mesmo criou. Rabiscado na sua consciência uma última constatação: o mundo é grande demais para os pequenos.
            Você está de pé. Parece vigiar a si mesmo. A plateia suspira ansiosa a espera de um novo ato. Sua aventura pelos palcos, meu chapa, pelo visto ainda não terminou. Conhecer a si próprio entendendo o mundo ao seu redor exige muito mais do que apenas avistar a indecência de certas verdades. É chegada a hora do último ato desta noite. Espera aí, parece que há uma porta num dos cantos do imenso palco. Você tem a impressão de que algo está a batê-la. E realmente está. A redenção faz então a sua visita surpresa. Seus olhos à convida a entrar. É agora. A inocência já em frangalhos então é atropelada de vez. Grandes e incontestáveis valores são jogados para sempre no porão das irrelevâncias. Só então você consegue ver. Está lá. A redenção com elegância te apresentou o esconderijo que você tanto procurava. Você encontrou a saída. A saída é se render e refugiar-se com os sobreviventes, nem que para isso não reste mais nada de você. É o que você faz. As cortinas calmamente se fecham. Lá fora a plateia que nunca dorme sente pena de você, mas parece contente por ver derrubadas todas as máscaras.




Daniel Lélis


Conto publicado originalmente na Revista Jfashion.

Rascunho: 'Seu encontro com você' (por Daniel Lélis)

Posted: quinta-feira, 10 de junho de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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Lá fora o vento cinza convida folhas a dançarem. A noite nublada esconde estrelas sonolentas. O único barulho que se ouve é o canto do silêncio. Aqui dentro, um coração sombrio vaga perdido, sem entender as razões para o seu próprio desarranjo. O mistério do mundo é perturbador. Na mente, explicações tentam ser construídas, mas sem êxito. O fim então que estava próximo, está aqui. É o fim da inocência. E de repente, no horizonte, um moinho gigante se forma, e vai moendo, uma a uma, muitas de suas esperanças. Desesperado, você se aventura e saboreia as delícias que só a atitude arriscada pode lhe proporcionar. Você procura respostas para perguntas que nunca entenderá. Aos poucos a dor de conhecer o mundo te contamina e te leva para longe de si mesmo. Longe, você descobre que nunca esteve tão perto de si. Aos poucos um a um todos os seus heróis vão sendo derrotados pela verdade. O seu equilíbrio parece te incomodar, mas você disfarça. Sabe que precisa seguir adiante. É, às vezes as melhores surpresas são mesmo a que fazemos. Mas você não está só surpreso consigo mesmo. Pela primeira vez você consegue entender as engrenagens fascinantes que movem o mundo. E isso, muito antes de realizá-lo, parece empurrá-lo para o medo. Você caminha. Não sabe para onde vai. Mas sente que tem força para não cair. Suas lembranças voltam a te assombrar. É a primeira vez também que você se sente feliz ao caminhar de mãos dadas com os fantasmas de sua infância. Quando você é transportado para o hoje descobre que todos os ontens ficaram para trás. Uma pá gigantesca surge e você passa a enterrar uma a uma todas as histórias que ainda te incomodam. A beleza do momento, contudo, é vergonhosa. Não poderia ser diferente. Julgado e condenado, muito de seu passado vai se despedaçando. A noite é fria. Ao longe as estrelas parecem lamentar, mas na verdade nunca estiveram tão orgulhosas. Um ventinho úmido faz balançar seus cabelos. No meio fio da vida, você enfim consegue enxergar-se. O silêncio e o luar tímido nunca pareceram tão fantásticos. Nada será como antes. Essas foram as únicas palavras que você ouviu de sua mascarada consciência. Este é o destino. Você sabe que alguma coisa precisa terminar para que haja um novo começo. As verdades envenenadas da realidade te servem como o mais doce remédio. Só então você descobre que ninguém precisa ser bom o suficiente para ter sucesso. Sorte e dinheiro são ingredientes mais que suficientes. Descobre igualmente que não adianta quanto você se esforce, alguém sempre irá desconfiar de você; que estupidez e hipocrisia são fortes propagandas; que quanto mais se nega o que se é, mais certeza se tem de que o é. Descobre enfim que as utopias não têm prazo de validade. Agora você está de pé. Parece vigiar a si mesmo. Não, não há nada que te faça sentar novamente. Um sono absurdo parece te consolar. Mas a sua aventura ainda não terminou. Conhecer a si próprio exige muito mais. Muito mais. Você sabe disso. Resolve então caminhar, agora de verdade. Na rua, poucos transeuntes. É mais de meia noite. Eleva mais uma vez os seus olhos e percebe que muito tempo se passou desde o início da maior viagem da sua vida. Um encontro forçado seduz mesmo, hein?! O futuro nunca foi tão pouco importante como naquele momento. O mais interessante de se conhecer é que no fundo você sabe que sempre vai ser derrotado pelas suas próprias incertezas. Você para um instante. Parece querer voltar, e volta. Você agora está na sua cama. O sono volta a te chamar. Você o ignora. A redenção bate na sua porta. Você a convida para entrar. É agora. A inocência já em apuros então é atropelada. Grandes e incontestáveis valores são jogados para sempre no porão das irrelevâncias. Só então você consegue ver. Está lá. O esconderijo que você tanto procurava. Você encontrou a saída. O refúgio dos canalhas. Dos sobreviventes. E não adiante o quanto você insista por não fazê-lo, não há outra alternativa. Você precisa se render. É o que você faz. Seus olhos, ardentes e furiosos, calmamente se fecham. Você dormiu. Lá fora o mundo sente pena de você, mas parece contente por derrubar todas as máscaras. Quando acordares, tudo será diferente...


Daniel Lélis
*Rascunhão que serviu de base para a criação do conto "NO PALCO DA VIDA, O SEU ENCONTRO COM VOCÊ", que estará em breve na Revista Jfashion.

'A felicidade' (por Daniel Lélis)

Posted: quinta-feira, 6 de maio de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: ,
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Todo mundo alguma vez na vida já deve ter se feito essa pergunta: o que é a felicidade? Difícil imaginar uma resposta que atenda com perfeição a um questionamento tão complexo. Como a felicidade se desenvolve sempre no plano individual, não seria coerente querer limitá-la a um punhado de sensações. Ora, o que é motivo de felicidade para uns, pode ser de infelicidade para outros. Contudo, não me parece coerente abrir mão de desvendar aquilo que há de belo neste estado de espírito somente por não conseguirmos defini-lo na sua plenitude. Não, não é por aí. Portanto, consciente das limitações que me são impostas pela complexidade do tema, proponho com este artigo desenhar com palavras algumas faces (as mais características) do que vem a ser isso que chamamos de felicidade.
Não é raro nos depararmos com frases do tipo: “Fulano (a) está feliz” ou “Sicrana (o) está em busca da felicidade”. Expressões como essa, antes de serem apenas constatações, são o reflexo do desejo que move a humanidade. Ser feliz. Essa é a maior aspiração de todos, em todos os tempos. Tem-se por pessoa feliz aquela que está alegre, satisfeita, contente, e olha que não precisa de muito para isso. Ser feliz, na maioria das vezes, exige muito pouco. Não é a toa que constantemente basta um singelo telefonema, um abraço ingênuo, ou um doce reencontro, para que nos consideremos felizes. Quem é feliz, todavia, e é bom que se esclareça, não precisa traduzir necessariamente a sua felicidade em sorrisos e boas ações. Muito embora esta seja a regra, há indivíduos que mesmo felizes preferem a discrição. Aliás, é bom que se diga: um sorriso não é sinônimo de felicidade. Muitas vezes, pode ser apenas um disfarce; uma máscara gentil de quem escolheu sofrer sozinho; de quem preferiu não compartilhar o seu infortúnio.
Assim como não há felicidade absoluta, não existe uma fórmula para alcançar a felicidade. Não há um segredo, nem existe uma receita que se possa seguir para ser feliz. Dinheiro, por exemplo. Muita gente diz que tê-lo é uma condição para lograr a felicidade. Ora, se assim fosse, não existiria rico infeliz. E olha que é o que mais tem... Por outro lado, conheço gente humilde, que mesmo dividindo uma casinha modesta com uma família numerosa, que ainda que nunca tenha usado roupas de grife ou comida nos melhores restaurantes, se reputa verdadeiramente feliz.
Felicidade se conquista. Para tanto precisamos saber aproveitar ao máximo nosso aprendizado diário, saber aceitar e expressar os nossos sentimentos. É indispensável igualmente que saibamos construir os próprios projetos de vida e empenhar-se com todas as forças para realizá-los, reconhecendo limites e respeitando-os. É preciso ter em mente que podemos fracassar. Não podemos, e isso nunca, é desistir, recuar, deixando de acreditar em nossos sonhos, em nossas metas e em nossos propósitos. Que a derrota, portanto, não nos leve ao terreno inóspito da desesperança, mas que nos sirva de lição; de inspiração. Que o fracasso venha, mas não leve a crença que devemos ter em nós mesmos; que não tire de nós a valentia e a perseverança que nos dignificam. Por fim, que não nos contentemos com definições rasas do que vem a ser a felicidade, apostando em receitas mágicas para a sua conquista. Não importa como, quando, onde, com quem. Ser feliz é o que interessa.

Daniel Lélis

Texto publicado originalmente na Jfashion, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.

'Retrato da (minha) vida real' (por Daniel Lélis)

Posted: sexta-feira, 16 de abril de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores:
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E de repente...



... percebeu-se que a esperança, mesmo cambaleando, estava viva. Uma pontinha de felicidade, então, voltou a habitar o íntimo atordoado. A sombra que se apoderava dos pensamentos parecia então aos poucos se dissipar. O fim cinza, que parecia já estar escrito, aventurou-se em desaparecer. A felicidade, tão esquecida naqueles dias, enfim, voltou a se traduzir num sorriso sincero.
E se amar é vencer o mundo, por que não vencer o próprio orgulho? Perdoar é para os grandes amores, para as grandes histórias. O perdão é, e não me canso de dizer, a expressão máxima do amor. Perdoar é renovar; é recomeçar. E só o amor que é amor permite o recomeço. Quem perdoa abandona a mágoa pelo caminho e livra-se do peso amargo das lágrimas. Depois do perdão o mundo volta a sorrir. Os olhos voltam a enxergar o futuro que os sonhos tratavam de desenhar antes da crise. A doçura dos bons momentos, os desafios da vida construída a dois, tudo volta a fazer parte daquele vazio que atormentou por dias sombrios o coração que, sem alternativas, pensou que tudo tivesse acabado.
O amor tem mesmo essa força: ao mesmo tempo em que leva os amantes ao erro, dá a eles a oportunidade de se redimir... De traçar uma nova rota. De querer dar um novo sentido àquilo que sempre teve sentido. De querer fortalecer, enriquecer, resgatar o que há de melhor no elo parecia perdido, mas que sempre foi a razão de tudo.
Um amor NUNCA deixa de ser amor. Ele pode até ser contado com menos entusiasmo, mas no fundo, eis que é impossível abrir mão de senti-lo, reverenciá-lo, ouvi-lo. O amor fala aos ouvidos de quem ama mesmo quando quem ama finge não amar mais... O amor grita sua existência, e só o teimoso, ou o desiludido, se convida a não batalhar por aquilo que dele ouve.
Somente quem acredita no amor pode superar os maiores medos, as maiores dores, as maiores controvérsias. Apenas aquele que realmente ama pode fazer do amor a sua maior força, o seu maior poder. Ao amante errante cabe ir atrás, reconhecer a falha e pedir desculpas. Ao outro é obrigação, no tempo certo, de pisar na própria soberba. Deste encontro, surge a convicção de que deve-se começar de novo. Não do início, mas sim de onde parou. A página em que a dúvida, o medo e a precipitação se fizeram presentes, logo será rabiscada. Folhas em branco então surgirão. E de repente, com lapiseiras invisíveis, a história que nunca deixou de ser contada, voltará a se escrita.



Daniel Lélis

'Lula e suas lulices' (por Daniel Lélis)

Posted: terça-feira, 30 de março de 2010 by Daniel Lélis in Marcadores: , ,
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O que falar do Lula, quando parece que tudo já foi dito/escrito/falado? Vamos aos fatos. Lula é, sem sombra de dúvidas, um dos políticos mais carismáticos da história do Brasil. Entre os méritos que podem ser apontados em seu governo, destacam-se a manutenção da polícia econômica, que trouxe estabilidade e confiança para o país, e a implementação de políticas sociais e a ampliação daquelas já criadas no período FHC. Mais do que isso, Lula assumiu papel de protagonista na América Latina, desfrutando generosa popularidade dentro e fora do país. A verdade é que hoje mais de 76% dos brasileiros aprovam o governo do ex-metalúrgico. Lula é amado e admirado pela maioria dos brasileiros. Ponto.
Conheçamos agora o outro lado da história, aquele que os petistas preferem esconder, negar ou ignorar. É hora das lulices. Lula, ante os vários escândalos de corrupção que derrubaram muitos dos seus aliados e ministros, optou por dizer que nada sabia. Preferiu fazer-se de ignorante quanto aos atos dos seus subordinados diretos. Continuemos. Nunca na história desse país (para usar uma expressão consagrada por Lula), um presidente falou tanta asneira. Metáforas de mau gosto, gozação, palavrão. Lula fez de tudo um pouco. Prossigamos. Foi sob a benção de Lula, que foi parido o PNDH (Programa Nacional de Direitos Humanos) nº 3, aquele monstro que previa o fim da propriedade privada, a institucionalização da censura aos meios de comunicação e a vingança de terroristas contra militares. Está certo que todas as propostas polêmicas foram excluídas, mas não deixa de ser vergonhoso para um presidente que estas em algum momento tenham sido admitidas em sua administração. Avante, estimados leitores (não percam o fôlego!). O PAC – Programa de Aceleração do Crescimento (que já está em sua 2ª versão) emPACou: a maioria das obras ficou só no papel e grande parte das que foram ou estão sendo executadas, estão sendo investigadas por desvios. Por fim, falemos da controversa política externa deste governo. Lula abraçou, apoiou e defendeu políticos de caráter duvidoso, como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, aquele que diz que o Holocausto é invenção, e o da Venezuela, Hugo Chávez, outro maluco que deseja incansavelmente implantar uma ditadura em seu país. Fidel Castro, todo mundo sabe, é idolatrado pelo nosso presidente. É o “Lulinha paz e amor”, dono do Programa de Direitos Humanos, abrigando sob as suas asas os mais estúpidos e perversos políticos do planeta atualmente.
É óbvio que não são as lulices que fazem de Lula o político popular que é. Para isso, serve o Bolsa Família. A maioria dos que o admiram sequer sabem delas. Contudo, não é coerente ignorá-las. Os sucessos de um governo não podem apagar os seus equívocos. Lula deve ser admirado sim, mas não incondicionalmente como querem alguns. Colocá-lo num altar e reverenciá-lo, eximindo-o de qualquer responsabilidade é, em última análise, negar-se a realidade. É um convite a arbitrariedade. Ora, ao endeusado não se permite errar. Ele pode tudo. Quem ousa a puni-lo, adverti-lo ou corrigi-lo, leva fama de “golpista” ou coisa parecida. Que não nos rendamos, portanto, ao discurso apaixonado, cego e delirante de quem ver Lula como um deus. Que saibamos reverenciá-lo por suas boas políticas, mas que tenhamos SEMPRE o direito de criticá-lo quando assim entenderemos necessário.

Texto publicado no jornal O Atualidade, de Tocantins.